terça-feira, 23 de março de 2010

Década perdida?

Começo a encontrar com alguma frequência referências à primeira década do Sec. XXI como uma década perdida para a sociedade ocidental. Coisas relacionadas com o poder de compra não ter aumentado, terem-se perdido alguns dos valores sociais do Velho Continente, envolvimento encapotado de nações "amantes" da paz em guerras obscuras em países distantes, por motivos no mínimo falaciosos, decadência da democracia enquanto galvanizadora da participação popular, etc. Pela parte que me toca, não foi esta última década que se perdeu, mas pelo menos os últimos 30 anos, boa parte do meu período de vida. E nem sequer acho que foi pelos motivos enunciados, meros sintomas do que me parece ser o verdadeiro problema: Fomos e somos enganados.

Abraham Lincoln disse: "You may fool all the people some of the time, you may even fool some of the people all of the time, but you cannot fool all of the people all the time". Não sei bem a propósito de quê terá dito esta frase célebre e aceite universalmente como puro bom senso, mas preocupa-me uma pequenina nuance...:


- E se for possivel, em democracia, enganar a maior parte do povo todo o tempo?

quinta-feira, 18 de março de 2010

Balão côr-de-laranja

Gosto de balões. É inútil tentar explicar os motivos pelos quais se gosta de balões: se é preciso, é porque não vale a pena. Quase não vale a pena apontar o facto que os balões, quanto mais inchados, menos se dão com agulhas. E então sublinhar o fim inexorável de qualquer balão é um exercício de futilidade perfeitamente inócuo: Ninguém quer saber. De verdade la palissiana em verdade la palissiana, damos por ela estamos em pleno congresso do PSD.

Assim, de repente, passou-me a vontade de falar nisso.

domingo, 7 de março de 2010

Generation gap

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Novo modelo da mercedes?


Todos queremos ser mais do que somos.

Mal estacionado?


Não se esqueçam de, quando saírem do vosso carro ou camião, de puxar bem o travão de mão. Ainda se arriscam a ter de ir à farmácia perguntar quanto custam os 1.ºs socorros...
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1.ºs Socorros - sob Consulta


Não se esqueçam que, como em qualquer estabelecimento comercial, até numa farmácia se deve perguntar primeiro o preço. Um dia destes poderemos ler coisas destas nos hospitais, quem sabe...
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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

A Mary Jane fez 6 meses!!!!



Hoje a nossa Mary Jane fez 6 meses de exploração, crescimento, alegria e felicidade de toda a família, que lhe desejam um mundo de amor.
Todos contribuimos para um postal, que aqui partilho com todos.

Um Abraço!
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domingo, 24 de janeiro de 2010

Jonas Yip

Hoje proponho mais um link, desta vez para as galerias do fotógrafo Jonas Yip. Penso que gostarão do seu trabalho sereno e elegante. Gostaria de destacar a galeria Paris:Dialogue, que nos remete para uma atmosfera de sonho intemporal, com recurso a uma lente de ampliação com custo inferior a €1,00. Mais uma prova que é o fotógrafo que faz fotografia, não o equipamento.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Roterdão, 2002

Em Maio de 2002 estive de férias em Antuérpia, Bélgica, de visita a um amigo fotógrafo, de seu nome Philippe Van Os. Durante a minha estadia houve um dia em que o meu amigo tinha um compromisso e decidi ser do contra e aproveitar a minha solidão para visitar Roterdão, morada do maior porto do mundo, por oposição ao lugar comum que seria uma visita a Amsterdão (sem demérito ao maior destino turístico da droga na Europa). Aprendi muito nessa visita de um dia:
Aprendi que os holandeses nunca serão pobres enquanto controlarem o seu porto;
Aprendi que as bicicletas lá não são a coisa pipi daqui, mas um meio de transporte fabuloso e barato, que não é destinado ao lixo passado dez anos da compra;
Aprendi que devemos ter cuidado quando o "passeio" é vermelho;
Aprendi que a câmara municipal de Roterdão beneficiaria as esquinas da cidade com umas caixas de barulho com gravações de qualquer mercado municipal português ou feira, para animar a malta solitária com sons além do rolar dos pneus no asfalto e do ruído de fundo do porto na zona ribeirinha...


Convido-vos a visitarem o meu álbum dedicado a Roterdão na minha página do flickr.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Prémio Nobel da Paz

Num artigo passado fiz menção do valor do Prémio Nobel e do tipo de pessoas a quem é atribuído. Nem de propósito, hoje tropeço num artigo escrito por Noam Chomsky, que contém uma resenha histórica dos quatro presidentes norte-americanos galardoados com este prémio e da sua relação com a América Latina. Aqui fica o excerto, retirado do blog Democracia e Política (http://democraciapolitica.blogspot.com/2010/01/os-eua-e-pacificacao-presidencial-na.html):

" Barack Obama é o quarto presidente estadunidense a ganhar o Prêmio Nobel da Paz, unindo-se a outros dentro de uma longa tradição de pacificação que desde sempre serviu aos interesses dos EUA. Os quatro presidentes deixaram sua marca em nossa “pequena região” ("nosso quintal"), que "nunca incomodou ninguém", como caracterizou o secretário de Guerra, Henry L. Stimson, em 1945. Dada a postura do governo de Obama diante das eleições em Honduras, em novembro último, vale a pena examinar esse histórico.

Theodore Roosevelt

Em seu segundo mandato como presidente, Theodore Roosevelt disse que a expansão de povos de sangue branco ou europeu durante os quatro últimos séculos viu-se ameaçada por benefícios permanentes aos povos que já existiam nas terras onde ocorreu essa expansão (apesar do que possam pensar os africanos nativos, americanos, filipinos e outros supostos beneficiados).

Portanto, era inevitável e, em grande medida, desejável para a humanidade em geral que o povo estadunidense terminasse por ser maioria sobre os mexicanos ao conquistar a metade do México, além do que estava fora de qualquer debate esperar que os (texanos) se submetessem à supremacia de uma raça inferior. Utilizar a diplomacia dos navios de artilharia para roubar o Panamá da Colômbia e construir um canal também foi um presente para a humanidade.

Woodrow Wilson

Woodrow Wilson é o mais honrado dos presidentes premiados com o Nobel e, possivelmente, o pior para a América Latina. Sua invasão do Haiti, em 1915, matou milhares de pessoas, praticamente reinstaurou a escravidão e deixou grande parte do país em ruínas.

Para demonstrar seu amor à democracia, Wilson ordenou a seus mariners que desintegrassem o Parlamento haitiano a ponta de pistola em represália pela não aprovação de uma legislação progressista que permitiria às corporações estadunidenses comprar o país caribenho. O problema foi resolvido quando os haitianos adotaram uma Constituição ditada pelos Estados Unidos e redigida sob as armas dos mariners. Tratava-se de um esforço que resultaria benéfico para o Haiti, assegurou o Departamento de Estado a seus cativos.

Wilson também invadiu a República Dominicana para garantir seu bem-estar. Esta nação e o Haiti ficaram sob o mando de violentos guardas civis. Décadas de tortura, violência e miséria em ambos países foram o legado do idealismo wilsoniano, que se converteu em um princípio da política externa dos EUA.

Jimmy Carter

Para o presidente Jimmy Carter, os direitos humanos eram a alma de nossa política externa. Robert Pastor, assessor de segurança nacional para temas da América Latina, explicou que havia importantes distinções entre direitos e política: lamentavelmente a administração teve que respaldar o regime do ditador nicaragüense Anastásio Somoza, e quando isso se tornou impossível, manteve-se no país uma Guarda Nacional treinada nos EUA, mesmo depois de terem ocorrido massacres contra a população com uma brutalidade que as nações reservam para seus inimigos, segundo assinalou o mesmo funcionário, e onde morreram cerca de 40 mil pessoas.

Para Pastor, a razão era elementar: os EUA não queriam controlar a Nicarágua nem nenhum outro país da região, mas tampouco queria que os acontecimentos saíssem do seu controle. Queria que os nicaragüenses atuassem de forma independente, exceto quando essa independência afetasse os interesses dos Estados Unidos.

Barack Obama

O presidente Barack Obama distanciou os EUA de quase toda América Latina e Europa ao aceitar o golpe militar que derrubou a democracia hondurenha em junho passado. A quartelada refletiu abismais e crescentes divisões políticas e socioeconômicas, segundo o New York Times. Para a reduzida classe social alta, o presidente hondurenho Manuel Zelaya converteu-se em uma ameaça para o que esta classe chama de democracia, que, na verdade, é o governo das forças empresariais e políticas mais fortes do país.

Zelaya adotou medidas tão perigosas como o incremento do salário mínimo em um país onde 60% da população vive na pobreza. Tinha que ir embora. Praticamente sozinho, os EUA reconheceram as eleições de novembro (nas quais saiu vitorioso Pepe Lobo), realizadas sob um governo militar e que foram uma “grande celebração da democracia”, segundo o embaixador de Obama em Honduras, Hugo Llorens. O apoio ao processo eleitoral garantiu para os EUA o uso da base aérea de Palmerola, em território hondurenho, cujo valor para o exército estadunidense aumenta na medida em que está sendo expulso da maior parte da América Latina.

Depois das eleições, Lewis Anselem, representante de Obama na Organização de Estados Americanos (OEA), aconselhou aos atrasados latinoamericanos que aceitassem o golpe militar e seguissem os EUA no mundo real e não no mundo do realismo mágico."

Estamos esclarecidos.